MACÁRIO  FAGUNDES

Quando o Espírito de Macário Fagundes bateu à porta da Esfera Superior, sobraçava à altura do peito elegante volume da Bíblia.

A Bíblia resumira-lhe na Terra as preocupações e os objetivos.

Estudara religiões. Simpatizara com todas. Contudo, refugiara-se na Bíblia,  dela  fazendo argumento de última instância. 

Fora a Macário que um amigo, certa feita, ponderara, delicado: “Fagundes, não tenho dúvidas quanto ao Novo Testamento, em que realmente sentimos a presença do Cristo, mas, no que se reporta aos antigos profetas, creio tudo devamos examinar com raciocínio e discernimento. Você acredita, por exemplo, no caso de Jonas, qual vem relatado pelos cronistas? Aceita que Jonas tenha  sido  tragado  por  uma  baleia, viajando são e salvo dentro dela?” E Macário respondera, firme:  “A letra do Velho Testamento não  pode  falhar. Acredito piamente que a baleia engoliu Jonas para que ele  cumprisse a missão de que estava incumbido e, se estivesse escrito na Bíblia que Jonas engolira a baleia, eu aceitaria a informação com a mesma fé.” [Ah, ah, ah!...]

Pois era Macário quem se perfilava agora, reverente, ao pé da Sagrada Porta.

Mensageiro espiritual atendeu, presto. E Fagundes explicou a própria condição. Vinha do mundo. Fora cristão "fiel". Perdera o corpo de carne, no fenômeno da morte, e queria lugar para descanso. Para isso, acrescentava, vivera o temor da Bíblia, consagrando-se a ela de alma e coração. [As aspas são do revisor.]

- Entretanto, Fagundes, que fez você com a Bíblia? – indagou o amanuense, calmo.

- Peço licença para alongar-me um tanto na resposta – rogou o recém-chegado -, pois gastei a existência analisando ensinamentos e confrontando textos.

- Perfeitamente. Você esclarecerá a própria situação como deseje.

E Macário passou a elucidar:

-  Adorei  a  Bíblia  como  sendo  a  palavra  de  Deus  em  todos  os  meus  dias.  Sei  que  outros estudantes  possuem  apontamentos  mais  ou  menos  diversos  de  minha  estatística  pessoal, efetuada em longo tempo de estudo; no entanto, posso dizer que a Bíblia está contida em 69 livros, sendo 42 no Velho Testamento e 27 no Testamento Novo. 

E prosseguiu:

-  O  Tesouro  Eterno,  dentro  dos  livros  referidos,  está  formado  de  1.189  capítulos.  Os  1.189 capítulos estão divididos em 31.138 versículos. Os 31.138 versículos possuem 774.748 palavras. As 774.748 palavras estão articuladas com 3.566.512 letras. O meio da Bíblia fica no versículo 8, do Salmo 118, em que o profeta diz claramente: “É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem.”  O  versículo  mais  longo  é  o  de  número  9,  do  capítulo  VIII,  do  Livro  de  Ester,  que relaciona uma ordem de Mardoqueu, e o versículo mais curto é o de número 35, do capítulo XI, do Evangelho de João, que dá notícias do pranto de Jesus por Lázaro morto.  Creio seja desnecessário alinhar anotações vulgarmente sabidas, mas é importante apontar que a  Bíblia  gastou  cerca  de  mil  anos  para  ser  escrita  e está traduzida em mais de mil línguas e dialetos. 

Macário silenciou. Admitindo que ele apresentara quanto pretendia, o mensageiro replicou:

-  Efetivamente, a sua cultura do livro sagrado é espantosa, mas houve um mal-entendido. Desejamos saber o que você realizou com a Bíblia no coração e nas mãos... [Participou de muitas sessões de "louvor" e "adoração"!... Ah, ah, ah!...]

- Ah! – tornou Fagundes, repentinamente desapontado. – Já disse o  que  consegui... Minha confiança na Bíblia diz tudo...

- Sim, os seus conhecimentos são admiráveis. No entanto, a Esfera Superior [O Governo dos Mundos] pede obras, obras edificantes... A Lei determina seja cada um de nós julgado pelas próprias obras... É preciso que você relacione os próprios feitos... [Ele já disse: "Participei de muitas sessões de 'louvor' e 'adoração'"!... Ah, ah, ah!...]

- O apóstolo Paulo – adiantou Macário, desculpando-se – declara no versículo 1, do capítulo 5, na  Epístola  aos  Romanos,  que  “justificados  pela  fé  temos  paz  com  Deus,  por  Nosso  Senhor Jesus Cristo”.

-  Sem dúvida – atalhou o amigo  espiritual -, a  fé constitui o alicerce de  todo trabalho, tanto quanto o plano é o início de qualquer construção. O apóstolo Paulo deve ser atenciosamente ouvido, mas não podemos esquecer a palavra do Divino Mestre, no versículo 34, do capítulo 13, no Evangelho de João: “Amai-vos uns aos outros como vos amei”. Não ignoramos que Jesus nos amou em plena renunciação de si mesmo para melhor SERVIR. ["Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna." Mateus 25:31.]

- É... é... de fato...

E Fagundes indagou:

- E agora? Se me dediquei completamente à fé, que fazer agora?

- É preciso voltar à Terra e nascer de novo [reencarnar] para fazer o bem que ensinamos. O próprio Cristo não teve outro programa perante Deus, e Paulo de Tarso, que exaltou a fé, não viveu outras diretrizes diante do Cristo... Crer, sim, mas fazer também. Fazer muito [O BEM] e sempre o melhor...

Macário resmungou, chorou, lastimou-se, reclamou. Contudo, não teve  outro  remédio  senão aceitar a verdade e nascer de novo [reencarnar].

Texto extraído de Constos Desta e Doutra Vida, psicografia de Chico Xavier, obra ditada pelo espírito Humberto de Campos, publicada pela FEB.

Conclusão: Você acha que o Fagundes conhecia, que entendeu MESMO a mensagem bíBRica? "Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta." Tiago 2:26. Diante disto, acha também que esses pastores moderninhos, por mais que sejam tidos como poFREtas, têm mais autoridade para ensinar a mensagem cristã do que, digamos, Tiago? Será que eles não ensinam nem exemplificam essas coisas por causa do dízimo? Pois, ora, Igreja vazia, com os fiéis  dedicando quase todo o tempo disponível a obras verdadeiramente cristãs, de acordo com os ensinamentos do Cristo e dos Apóstolos, não teria dízimo...
 
 
ATÉ MOISÉS  

Quando Euclides Brandão desencarnou, aguardava imediato ingresso ao Paraíso.

Vivera de Bíblia na mão, consultando textos diversos.

Declarava sempre que os dez mandamentos lhe controlavam a vida. Em  pensamento, embora quisesse o mundo inteiro para si, reverenciava a  Deus, não lhe prenunciava debalde o santo nome, observava o descanso dominical, honrava os pais, não matava, não adulterava, não furtava, não cobiçava, de público, os bens do próximo, não obstante enredar as circunstâncias em seu favor quanto lhe era possível, e não se entregava aos falsos testemunhos.

Por tudo isso, sentia-se Brandão com direitos líquidos no país da Morte.

Atingindo, porém, o limite entre este mundo e o “outro”, em plena  alfândega da espiritualidade, o nosso companheiro surpreendeu-se. Era atendido sem considerações especiais.  Naquele  vasto  recinto  de  trabalho  seletivo, via-se tratado como consulente vulgar numa agência de informações.

Chamado  a  esclarecimentos, travou-se entre ele e o funcionário da justiça  divina interessante diálogo depois das saudações espontâneas:

– Não há ordem determinando minha transferência  definitiva para o céu? – perguntou confiadamente.

O interpelado, com jovial expressão, observou após inteirar-se, com pormenores, quanto à sua procedência:

– Não foi expedida qualquer resolução superior nesse sentido. O amigo era cristão?

– Sem dúvida – replicou Euclides, mordido no amor próprio. – Aceitei Jesus integralmente.

– Aceitou-o e SEGUIU-O?

– Perfeitamente. Lia-lhe o testamento dia e noite.

- Lia-o e PRATICAVA-O
[com obras de amor ao próximo e caridade MATERIAL E MORAL]?

– Com a máxima "exatidão". [As aspas são do revisor.]

– Retirando, porém, os benefícios do Evangelho, aproveitava-se dele para renovar-se em Cristo, revelando-se melhor no aprendizado da sabedoria e da virtude?

Euclides respondeu afirmativamente. E porque este se mostrasse um tanto melindrado com as interrogações, o fiscal da esfera superior recomendou-lhe enfileirar alguns dados autobiográficos o mais sucintamente possível. Pretendia decifrar o enigma. Encorajado, Brandão foi claro e breve.

– Eu – disse ele, demonstrando o gosto de exprimir-se invariavelmente na  primeira pessoa – fui um homem justo na Terra. Sempre guardei cuidado  em preservar esta característica de minha personalidade. Se recebia dos outros bondade e respeito, pagava com moedas iguais. Aos que me agradavam, aquinhoei com as vantagens suscetíveis de serem articuladas  com a minha influência. Tanto assim que deixei meus haveres a quantos me souberam conquistar simpatia. A todos, porém, que me fizeram mal, retribuí conforme propunham. Nunca tive inclinação para ajudar malfeitores, porque para eles não há suficientes grades no mundo. Quando molestado pelos maus, sabia conjugar o verbo corrigir e, se me incomodavam duramente, punia-os com aspereza. Corda e ferro não podem ser esquecidos na  melhoria  dos  homens.  Em sendo perseguido, jamais permiti que os amigos me tomassem dianteira na desforra. Não me calava ante qualquer desafio; por isso, se era convidado a contender, competia-me ganhar as demandas. Pisado pelos outros, dava o troco de conformidade com as circunstâncias em que recebia as ofensas. Nunca perdi tempo, ensinando a delinquentes e vagabundos o que não desejavam aprender, e, se às  pessoas  nobres  tratei com generosidade, ofereci aos desonrados a repulsa que mereciam. Quando recebido com flores, improvisava um jardim aos que me favorecessem, mas, se era surpreendido com pedradas, respondia com uma chuva de pedras.

Fez longa pausa e acentuou:

– Não suponha que exerci a justiça com facilidade. Ao homem de minha  estirpe, que procura ser equilibrado e "cristão", muito ingrata é a experiência terrestre.

Estampou engraçada expressão fisionômica e ajuntou:

– Segundo vê, minhas reclamações são oportunas. Se o Paraíso não estiver aberto para mim, que andei de Bíblia nas mãos...

O funcionário celeste, bem humorado, interveio para esclarecer:

– O plano superior não lhe cerrará a passagem, conquanto, Brandão, A SUA JUSTIÇA NÃO HAJA CONHECIDO A MISERICÓRDIA...

– Oh! mas nunca assumi compromissos sem consultar os sagrados textos!...

– Sim – disse o sábio interlocutor –, você chegou até Moisés. Voltará naturalmente ao corpo de carne [reencarnará], a fim de prosseguir o aprendizado com Jesus Cristo.

E, sorridente, acrescentou:

– SEU CURSO ESTÁ COM UM ATRASO DE MIL E NOVECENTOS ANOS...

Foi ao ouvir este esclarecimento que Euclides baixou a cabeça e calou-se, como quem se dispunha a refletir...

Texto extraído de Luz Acima, psicografia de Chico Xavier, obra ditada pelo espírito Humberto de Campos, publicada pela FEB.

Conclusão: Eles são crianças e não conhecem a verdade... Os escolhidos são escolhidos por mérito e não pela fé, pois, de acordo com a própria Bíblia, à qual dizem seguir "religiosamente", "a cada um será dado segundo as suas obras".
 
 
 
 
O  ANJO  SERVIDOR

Quando o anjo servidor, em trabalho inadiável, alcançou o pátio repousante,  onde se aglomeravam desencarnados diversos, olhou de relance para ver se descobria alguém que com ele cooperasse na tarefa que o deslocava do Céu.

Necessitava de companheiro recém-vindo da Terra e, aproximando-se das  almas recentemente desembarcadas no Além, procurou, lesto, entre elas, o  colaborador nas condições exigidas.

Explicou seus objetivos em poucas palavras e dirigiu-se a cavalheiro de semblante grave, perguntando:

- Meu irmão, quais são os seus planos?

– Estou aguardando a minha entrada no banquete divino – redarguiu o interpelado, sem cerimônia. - Fui católico apostólico romano. Servi a diversas congregações e jamais perdi a santa missa. Confessava-me  regularmente. Recebi, centenas  de  vezes,  a  sagrada partícula, extasiado e feliz. Respeitei os sacerdotes e beijei, reverente, o anel dos meus pastores.  Distribuía esmolas pela conferência a que me filiara. Honrei a memória dos santos com dilatadas penitências.

Fixou o horizonte distanciado, persignou-se e rematou:

– Louvado seja o Senhor, que me salvou pelo mistério do Santíssimo  Sacramento! Entrarei, contrito, na Corte Celeste! Aleluia! Aleluia!...

O emissário de Mais Alto aprovou-o com um gesto silencioso e passou adiante. Pousando a atenção noutro recém-desencarnado, indagou:

– Amigo, que esperas por tua vez?

– Eu?! – suspirou. – Busco a herança de meu Deus. Vivi na religião reformada. Guardei a fé acima de tudo. Nunca faltei aos meus cultos. Fiz a  leitura diária da Bíblia enquanto estive na Terra. Defendi os ideais  evangélicos ardorosamente. Fui combatente de Cristo, condenando-lhe os inimigos. Contava com a remuneração de meus serviços no Juízo Final. No entanto, reconheço hoje que a minha glória pode ser apressada. Habitarei a direita de meu Senhor para sempre.

O anjo fez sinal de aprovação e passou a um terceiro.

– Que aguardas, irmão? – interrogou ele.

Radiante, o novo interlocutor observou:

– Fui espírita. Preparo-me gostosamente para a jornada em demanda dos  mundos felizes. Doutrinei os espíritos das trevas. Pratiquei a caridade em todos os setores. Fui simples e paciente. Em tempo algum estive ausente das minhas sessões. Cultivei a pregação sistemática dos princípios que abracei em nome de Deus. Confiei-me invariavelmente aos Bons Espíritos. Agora, como é natural, entrarei na posse dos meus bens eternos.

O missionário angélico aprovou-o igualmente e auscultou o seguinte:

– Que projeto traçaste, amigo? – inquiriu, atencioso.

– Eu? Eu? – gaguejou o companheiro a quem se dirigira. – Para exprimir-me com verdade, nem eu mesmo compreendo minha presença entre os justos e piedosos. Fui trazido a este recinto constrangidamente.

E, em pranto mal contido, acrescentou, desapontado:

– FUI ATEU, POR INFELICIDADE MINHA. NÃO ADMITIA A SOBREVIVÊNCIA DA ALMA. NÃO SEI, FRANCAMENTE, SE CHEGUEI A PRATICAR ALGUM BEM NO MUNDO. APENAS BUSQUEI SEMPRE A EXECUÇÃO DOS MEUS DEVERES DE HUMANIDADE, ATENDENDO ÀS DIRETRIZES DA RETA CONSCIÊNCIA. PROCUREI LEVANTAR OS FRACOS E OS ABATIDOS E PROPORCIONAR ENSEJOS DE APRENDIZADO E SERVIÇO A IGNORANTES E OCIOSOS COMO SE O FIZESSE A MIM MESMO, SEM NENHUM PROPÓSITO DE SER RECOMPENSADO NA PAISAGEM QUE ME SURPREENDE. TANTOS SOFREDORES, PORÉM, ENCONTREI NO CAMINHO TERRESTRE E TANTO TRABALHO VI NO PLANETA AGUARDANDO BRAÇOS FORTES E GENEROSOS QUE, SABENDO HOJE DA EXISTÊNCIA DE UMA JUSTIÇA MISERICORDIOSA E INFALÍVEL NO CÉU, MUITO ME ENVERGONHO DA DESCRENÇA QUE ADOTEI NA TERRA, EMBORA PROCURASSE LUTAR PARA SER UM HOMEM DIGNO, E, SE ME FOSSE CONCEDIDO FORMAR ALGUM PROJETO, DEVO ASSEGURAR QUE MEU ÚNICO DESEJO  É REGRESSAR À TERRA E COOPERAR MAIS ATIVAMENTE COM A FELICIDADE DOS NOSSOS SEMELHANTES.

Com surpresa, o anjo abraçou-o e convidou-o a segui-lo, esclarecendo:

– Sim, vamos. Todos os que permanecem neste este átrio de repouso merecem a bênção divina. O católico, o reformista, o espiritista e o incrédulo, suscetíveis de serem erguidos até aqui. Foram homens de  elevada expressão na melhoria do mundo. Todavia, para servir  imediatamente ao meu lado, prefiro o irmão que não tenha o pensamento prisioneiro do salário celestial. Preciso de um cooperador liberado das complicações de pagamento. A conta prévia costuma dificultar o trabalho.

E, sem mais delonga, desceu em companhia do ex-materialista, a fim de atender a serviço urgente na Terra.

Texto extraído de Luz Acima, psicografia de Chico Xavier, obra ditada pelo espírito Humberto de Campos, publicada pela FEB.

Conclusão: O texto ajuda a entender que Jesus Cristo não veio à Terra criar nenhuma religião, esse verdadeiro Ibópio do povo. E cabe a pergunta: para que servem esses "padres" e "pastores"? Porquanto é fácil e cômodo "louvar" a Deus da boca pra fora, numa atitude de falsa religiosidade, sem obras de verdadeiro amor e caridade. Ao contrário deles, atente-se bem no que ensina a Bíblia, a que dizem seguir fielmente: "Em verdade vos digo que, sempre que fizestes o Bem a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes." (Mateus 25) -
"Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil e te guia pelo caminho em que deves andar." (Isaías 48:17) - "Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores." (Mateus 7:15) - "Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos." (Marcos 13:22) - "Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente HERESIAS destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição." (Pedro 2:1) - "Ai de vós, quando todos os homens vos louvarem! Porque assim faziam os seus pais aos falsos profetas!" (Lucas 6:26).

Recomendo ao leitor que leia o livro A Maldição do Cristo Genérico. Alguns trechos dele são bastante razoáveis e verdadeiros.
Prezado Leitor, complementando os textos acima, já pensou na questão do Anticristo? Seria ele de fato, como pensam alguns, uma única pessoa ou, quem sabe, um único espírito? Você sabe que a palavra "anticristo" quer dizer "aquele ou TODO AQUELE que é contra o Cristo", certo? Ora, o egoísmo, a impiedade ou falta de misericórdia, do perdão 70x7, as obras vazias de espírito ("louvores" e "adoração"), a ganância, a sexolatria, a idolatria, a inveja, o rancor etc. não são "contra o Cristo" ou anticrísticas?! Você não tem mesmo pelo menos alguma dessas coisas dentro de si? Se tem, é também o Anticristo ou anticrístico! Acha mesmo que entendeu a mensagem evangélica só porque um "pastor" travestido de homem civilizado, de "ungido de Deus", com terno, gravata e tudo; que a entendeu só porque um sacerdote católico, fantasiado de "representante de Deus na Terra", com a Bíblia na ponta da língua, a "interpretou" para você? Saia da Matrix, leitor! Leia o texto a seguir e veja se não está tudo dominado! Com interesse e boa vontade, vai acabar entendo tudim, sem precisar dos falso poFREta... Deus "prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto era necessário que ele fosse solto por um pouco de tempo". Esse trecho da Bíblia é uma imagem simbólica de espíritos (pessoas desencarnadas) muito perversos, cúpidos, sexólatras, corruptos e coisa e tal que ficaram impedidos de reencarnar na Terra até o Fim dos Tempos. No entanto, como talvez consiga perceber o leitor, quiçá após a leitura do texto a seguir, as Portas do Inferno foram abertas novamente, ou seja, esses espíritos infernais tiveram permissão de reencarnar no planeta, embora esta seja a última chance deles... Portanto, desnecessário dizer que, talvez mais do que nunca, os trevosos estão entre nós... Daí...
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"PERGUNTA: - Esses indivíduos satanizados não poderão estar operando de modo  benéfico, na direção de movimentos realmente culturais, científicos ou  religiosos?

Ramatis: - Sagazes e eloquentes, eles se infiltram em todas as esferas do pensamento humano, mas lhes é impossível manter em nível honesto a sua índole satânica, que logo os trai escandalosamente! Quando operam na literatura infantil, pervertem a mente das crianças; sensualizam o pensamento do moço na revista fescenina; induzem o leitor à venalidade e envenenam o sentido exato das palavras; insuflam ódios entre as classes e, quando à frente de doutrinas ou religiões, espalham definições separativistas e desmentem em público aquilo que cultuam na atmosfera dos templos, pois falam muito em Deus, mas cortejam fanaticamente o mundo de César; pregam a simplicidade, mas vestem-se de púrpura e de holanda (como  dizia  Jesus) ou de tecidos caríssimos enfeitados de ouro! Subvertem os seus deveres oficiais na segurança pública, atendendo aos manejos torpes da política desonesta; advogam a charlatanice e a mentira; absolvem o intelectual criminoso ou o ricaço faustoso, mas cobrem de ignomínia o infeliz que furtou um pão para dá-lo ao filho esfaimado ou o delinquente descalço que cometeu uma fraqueza! Alimentam estados de angústia e explosão de ódio entre o povo, promovendo o aumento do preço do leite, dos gêneros alimentícios, das utilidades,  dos transportes, do pão, e se enfurecem quando seus operários lhes pedem aumento  de salário para enfrentar a alta do custo de vida. Na ciência, transformam a dor  humana numa bolsa de negócios, em que os medicamentos se assemelham  a produtos de joalheria e o socorro aos enfermos à aquisição de luxuosos vestidos de modista! Aplaudidos pela falsa tradição do mundo material e  festejados pelo sentimentalismo dos homens tolos, gozam comumente da regalia de  monumentos nas praças públicas ou de placas douradas nas avenidas festivas. Mas a  Lei Divina os apanha e ajusta nos ciclos reencarnatórios, fazendo-os vestir os  mesmos  trajes que desprezaram e sofrer as mesmas torpezas que semearam.

Entretanto,  a  Lei  Suprema  que  ordena  a  reencarnação  dos  servidores  do  Cristo,  para  salvarem  a  humanidade  das  trevas,  também  assiste  aos  satanizados  que  descem [reencarnam]  para  a  retificação  dolorosa  de  última  hora.  Por  isso,  o  preparo  do  ambiente  crístico  para  o  terceiro  milênio  aguarda  o  vosso  tributo  de  amor  e  de  paciência  para  com  esses  irmãos  transviados,  que  já  estão  convosco  e  que  já  operam  em  todos  os  ângulos  da  vida  terráquea [Parada Gay, celebridades, autistas, sexólatras, cúpidos, jornalistas, escritores, advogados, políticos corruptos, "padres", "pastores", falsos profetas...]. Vivendo satanicamente, eles trincam em si mesmos o  cristal  refulgente  de  sua  ventura  espiritual!

O  satanismo, na realidade, é desgraça dolorosa para os seus próprios adeptos,  que,  situados como rebeldes inimigos da Luz, requerem uma terapêutica  cruciante em longo exílio nas trevas dos mundos inferiores.

PERGUNTA: - Qual a significação do brocardo que diz: Satanás sopra no ouvido  humano e contraria a vontade de Deus?

Ramatis: - Esse brocardo quer dizer que, quando espíritos maléficos influenciam a  mente humana, a alma se torna invigilante e se perverte, tornando-se re­fratária ao  socorro angélico. A trevosa influência satânica faz vibrar o desejo in­ferior, que  seduz, mas em sentido negativo e invertido. Adotai um brocardo oposto: 'Quando o  anjo sopra na consciência humana, dá-lhe intuição para o bem'. É  um  convite  dinâmico,  construtivo  e  ascensional!  O  homem  bom,  sob  a  inspiração  angélica,  pensa  no  infeliz  e  se  comove;  pensa  no  deserdado  e  sofre  com  a  desgraça  alheia;  esquece  os  seus  caprichos,  o seu poder, a sua  glória  política  ou  social;  olvida  a  sua  própria  comodidade, para atender à angústia alheia.  Mas o sopro  de  Satanás - a 'sereia das trevas' - faz o homem inverter os valores sublimes da  vida, confundir a realidade e se tornar injusto, impiedoso e estúpido; então, aceita o falso por verdadeiro, a ignorância por virtude e o próprio crime por heroísmo.  É por isso que Jesus nos adverte  constantemente da necessidade de orar e vigiar, pois Satanás sopra o tempo todo e em toda parte! A oração dinamiza as energias superiores; é atitude crística, cujo potencial interno modifica o campo vibratório em torno da criatura e lhe harmoniza sempre o comando psíquico desajustado por Satanás. E, como a renúncia é o estado mais vibrátil para a  receptividade angélica, o seu oposto, que é o egoísmo, torna-se excelente recurso  para a manifestação da voz melífiua de Satanás.

PERGUNTA: - Podeis dar-nos alguns exemplos dessas duas influenciações, o  "sopro do anjo" e o "sopro de Satanás"?

Ramatis: - Quando a consciência sente o sopro do anjo, manifesta-se no ser  humano a renúncia crística, a disposição amorosa para com a vida e o próximo; o  forte vai amparar o fraco; o rico sai do seu conforto e da sua posição social para  atender ao pobre; o sadio leva socorro ao indigente sem família e sem afeto; o  homem livre conforta o seu irmão encarcerado; a mulher fidalga cogita do lar para a redenção da decaída; o filho rico ampara o órfão deserdado; o homem inteligente  abdica do seu comodismo para esclarecer o ignorante; o feliz carreia esperança para  o desesperado; o ajustado na vida busca trabalho para o desempregado; o moço ajuda  o velho a viver; o milionário providencia a perna mecânica ou o carrinho para o  aleijado; a vizinha desafogada provê a vizinha pobre; o amigo oferece o seu amparo  ao  escorraçado da sociedade; a moça formosa auxilia a educação cristã da menina  repulsiva; o esposo feliz doutrina o casado infiel; a esposa honesta aconselha a  mulher leviana. Entretanto, o sopro de Satanás inverte todas essas posições: os administradores públicos constroem palácios faustosos, estádios faraônicos, monumentos custosos, ao mesmo tempo que os órfãos, os tuberculosos, os velhos, os cancerosos, jazem desamparados na gelidez das noites hibernais; subvencionam a construção de templos magnificentes e os luxuosos e dispendiosos congraçamentos para se homenagear a Jesus-Pobre; fazem emigrar os despojos dos mortos heróicos, enquanto milhares de recém-nascidos sucumbem à mingua do leite e das vitaminas! Satanás sopra, repleto de astúcia e de manha, aos ouvidos dos milionários, e eles erguem principescas vivendas, insensíveis ao panorama dos casebres infectos que lhes ficam nas divisas; organizam festividades alucinantes e despendem vultosas fortunas em banquetes glutônicos! A orquestra  fidalga  sonoriza  o  deslumbrante  concurso  de  elegância  e  a  exposição  ostensiva de jóias e sedas!  Enquanto isso sucede, ecoa no ar o sibilar impressionante da sereia da ambulância que conduz a moça anêmica, a gestante pobre ou a criança desfalecida pela subalimentação! As melodias da moda fundem-se com o grito angustioso do pai desesperado, cujo filho agoniza por falta de socorro médico; com os estertores dos cancerosos no desconforto da esteira em frangalhos; com o choro do nené anêmico, esquelético, com o ventre hipertrofiado e o eczema da intoxicação; com a tosse asmática e aniquilante da velhinha, que se consome na enxerga apodrecida!

O satanismo, no seu cortejo mórbido de gozadores irresponsáveis, erige um divertido reino entre os gemidos e as chagas de um mundo que pede um pouco de amor! E Jesus é novamente crucificado pelas torpezas dos sequazes de Satanás, que escarnecem da sua meiguice, do seu amor e da sua pobreza  honesta!  Os FARISEUS MODERNOS, REENCARNAÇÕES dos VELHOS SACERDOTES HEBRAICOS, cúpidos e nababescos, atendem ao  sopro satânico e constroem, por sua vez, os templos luxuosos, semelhantes a cofres de pedra gélida e repletos de tesouros transitórios, que "as traças roem e a ferrugem consome"! Nos seus tapetes, de veludo principesco, fica o escarro do tuberculoso ou a marca das chagas dos pés dos infelizes sem lar, que esperam o milagre por parte da insensibilidade dos ídolos dourados! Nos mármores  raros, estampa-se o suor das mãozinhas infantis, que pedem pão, leite e um pouco de alegria; nos bancos ornados de relevos aristocráticos, permanece o odor dos corpos doentes e, junto a esses bancos, a saliva dos asmáticos!

E o vosso mundo, conturbado, apresenta então o terrível e angustioso contraste: aquilo que disse Jesus não é igual àquilo que se faz em nome de Jesus!"

Texto extraído de Mensagens do Astral, psicografia de Hercílio Maes, livro ditado pelo espírito Ramatis, edição da Editora Freitas Bastos, mas publicado agora pela Editora do Conhecimento. É obra cuja leitura muito recomendo. Vale MUITO a pena ler e estudar!

Conclusão: Viu como as coisas se encaixam?
"Em verdade vos digo que, sempre que fizestes o Bem a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes." (Mateus 25) Ainda não viu?! É uma pena... Um dia, você chega lá...
 
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